Empresas do varejo, indústria, tecnologia e agronegócio têm percebido que, em vez de terceirizar o financiamento de seus clientes para bancos tradicionais, internalizar a operação de concessão de crédito (também conhecida como operação in-house) traz vantagens como a fidelização da base de clientes, aumento do ticket médio e geração de novas receitas.
Para implementar uma esteira de crédito do zero com segurança jurídica e financeira, a empresa deve seguir quatro etapas fundamentais:
1. Arcabouço Regulatório e Constituição Jurídica
A concessão de crédito no Brasil é uma atividade altamente regulada. O primeiro passo é definir sob qual “capa jurídica” a operação vai rodar. Dependendo do volume e do público-alvo, a empresa pode optar por criar uma estrutura comercial ordinária, uma instituição financeira autorizada pelo Banco Central ou um veículo do mercado de capitais.
2. Implementação da Esteira de Crédito e Tecnologia
Uma operação de crédito eficiente necessita de uma arquitetura tecnológica integrada, como a fornecida pela Finanblue, que contenha:
- Motor de Crédito e CRM: Ferramentas para automatizar o cadastro, o onboarding digital e a análise de risco de crédito, cruzando dados internos com bureaus públicos e privados.
- Formalização e Guarda Certificada: Assinaturas digitais de contratos e títulos com validade jurídica (infraestrutura ICP-Brasil) e conformidade regulatória.
- Mensageria e Monitoramento: Sistemas automáticos de notificação e registros para garantir que o cliente acompanhe suas parcelas.
3. Emissão e Registro de Ativos
Cada operação de crédito gera um título e para mitigar riscos de fraude e garantir a governança, as empresas utilizam instrumentos como a Cédula de Crédito Bancário (CCB Digital) e realizam o registro desses ativos em registradoras homologadas pelo Banco Central.
4. Cobrança e Gestão de Risco
A rentabilidade do crédito próprio não está na concessão, mas sim no recebimento. É preciso estruturar uma régua de cobrança automatizada (avisos via e-mail, SMS, WhatsApp pré e pós-vencimento) e contar com relatórios e dashboards que indiquem o índice de inadimplência histórica (PPD – Provisão para Devedores Duvidosos) em tempo real.
Como Escolher o Melhor Modelo para a Operação de Crédito
A decisão do modelo ideal baseia-se em três variáveis principais: origem do capital (recursos próprios ou de terceiros), volume financeiro projetado e apetite regulatório. Os principais modelos adotados no mercado brasileiro incluem:
Factoring (Fomento Comercial)
- Como funciona: Focado na compra de direitos creditórios (antecipação de recebíveis) de transações estritamente mercantis, utilizando capital próprio dos sócios.
- Indicação: Um modelo praticamente superado que ainda pode ser utilizado para empresas em estágio inicial ou que desejam testar a esteira de crédito com um número limitado de clientes corporativos (B2B).
Companhias Securitizadoras
- Como funciona: Uma Sociedade Anônima (S.A.) adquire os créditos gerados pela empresa e os transforma em títulos negociáveis (Debêntures, Certificados de Recebíveis Imobiliários – CRI, ou do Agronegócio – CRA).
- Indicação: Excelente para empresas que desejam migrar o modelo clássico de antecipação (Factoring) para uma estrutura mais robusta, permitindo a captação de recursos junto a investidores qualificados de forma privada ou pública, com otimização tributária.
FIDC (Fundo de Investimento em Direitos Creditórios)
- Como funciona: É um condomínio de investimento regulado pela CVM (Resolução CVM 175). O FIDC capta recursos no mercado de capitais por meio da venda de cotas (Seniores, Subordinadas Mezanino e Subordinadas Corporativas) e usa esse capital para comprar os direitos creditórios gerados pela operação da empresa.
- Indicação: Voltado para operações de grande porte (geralmente acima de R$ 30 a R$ 50 milhões). Apresenta a maior eficiência fiscal do mercado (isenção de IOF nas operações e diferimento de IR dentro do fundo), além de blindagem patrimonial altamente sofisticada.
Fintechs de Crédito: SCD e SEP
- Como funciona: Reguladas pelo Banco Central do Brasil (Resolução CMN nº 4.656/2018), as Sociedades de Crédito Direto (SCD) e Sociedades de Empréstimo entre Pessoas (SEP) operam como bancos digitais 100% eletrônicos. A SCD concede crédito estritamente com capital próprio, enquanto a SEP atua no formato peer-to-peer (conectando credores a tomadores).
- Indicação: Perfeito para corporações que buscam “bancarizar” sua operação, emitir cartões de crédito próprios, fornecer contas digitais (escrow ou de movimentação) aos clientes e ter autonomia total para emitir suas próprias CCBs diretamente no Sistema Financeiro Nacional.
A consultoria e a plataforma de sistemas da Finanblue oferecem uma infraestrutura modular ponta a ponta, desde o mapeamento jurídico preliminar (constituição e licenças), parametrização de motores de risco, até o fornecimento de ERPs robustos em nuvem para o gerenciamento de backoffice de FIDCs, Securitizadoras ou bancos digitais.